3 de novembro de 2026
O Banco Popular da China anunciou uma medida para tentar evitar uma valorização excessiva do yuan. A partir de 15 de novembro, os bancos do país terão de manter retida uma parcela maior dos depósitos que possuem em moedas estrangeiras, como o dólar. Hoje, essa parcela é de 4%. Com a nova regra, passará para 6%. Na prática, isso significa que uma quantidade maior de moeda estrangeira ficará parada nos bancos e deixará de circular no mercado. Com base no volume de depósitos em moedas estrangeiras registrado no fim de setembro, a mudança poderá retirar cerca de US$ 24 bilhões de circulação, segundo estimativa de Wen Bin, economista-chefe do Minsheng Bank. A decisão vem depois de um período de valorização do yuan. Um dos índices usados para acompanhar o desempenho da moeda chinesa subiu mais de 2% entre setembro e o fim de outubro. Empresas chinesas passaram a converter uma parcela maior dos dólares e de outras moedas recebidas no exterior para yuan. Esse movimento aumentou nos últimos meses. Segundo Wen Bin, isso pode alimentar um ciclo de valorização: quando empresas acreditam que o yuan continuará subindo, tendem a trocar suas receitas em moeda estrangeira mais rapidamente. Quanto maior essa procura pelo yuan, maior pode ser a pressão para que a moeda continue se valorizando. A nova regra tenta reduzir esse efeito. Ao deixar menos moeda estrangeira disponível no sistema financeiro, o banco central busca diminuir movimentos muito rápidos no câmbio e evitar que as expectativas do mercado sigam apenas em uma direção. A última vez que a China havia aumentado essa exigência foi em dezembro de 2021. Em 2023, o percentual havia sido reduzido de 6% para 4%. O Banco Popular da China afirma que não estabelece uma cotação fixa para o yuan e que permite movimentos tanto de alta quanto de queda da moeda. Mesmo assim, pode adotar medidas quando considera que o mercado está reagindo de forma excessiva. Segundo Pan Gongsheng, presidente do banco central chinês, a economia do país também se tornou menos dependente de uma moeda desvalorizada para favorecer as exportações. Ele afirmou que empresas chinesas passaram a vender produtos de maior valor agregado e a utilizar mais ferramentas para se proteger das oscilações cambiais. Fonte: people.com.cn